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Sobre “piar” no Brasil...

1. Reforço o uso da sigla RP ao invés de PR no Brasil por uma questão de anticolonialismo e porque o uso de PR para tratar de RP, muitas vezes, quer disfarçar o repúdio pela profissão regulamentada no país, franqueando o exercício de Relações Públicas a qualquer um. Recente campanha da própria ABRACOM – “Somos Todos Comunicação Corporativa” – baseou-se neste mote tipo “liberou geral”.


2. A incompreensão sobre comunicação institucional e a incompetência no ensino desta disciplina (apesar da mesma ser nossa especialidade por lei) – é um problema que não afeta os países anglófonos, onde o cidadão comum sabe diferenciar um statement institucional de um comercial.


3. PR – nos países anglófonos – é sinônimo de media relations (relações com a mídia, sucedâneo mais amplo de relações com a imprensa). Assim, aliás, nasceu a profissão, a partir de um jornalista – Ivy Lee – que, ANTES, abandonou a Redação para, então, oferecer seus préstimos às organizações necessitadas de publicity (divulgação).


4. Em Portugal, pátria-mãe da lusofonia, é crime tipificado um jornalista praticar a “dupla militância”, ou seja, traficar sua influência junto às Redações para beneficiar “clientes” (deveríamos adotar este parâmetro no Brasil, em minha opinião). Justiça seja feita; a ABRACOM condena a "dupla militância".


5. No Brasil, único país onde tem sentido a expressão “assessoria ‘de imprensa’ (sic)”, esta atividade foi assumida historicamente por jornalistas. Daí a expressão – e até denominação de uma associação – de “jornalistas-em-assessoria-de-imprensa” (JAI). Não sendo tipificado o ilícito da dupla militância, tal modelo se perpetuou (e eu, por exemplo, “não brigo mais esta briga” desde 2008).


6. O estatuto acadêmico da área em nosso país privilegiou outras atividades no âmbito da formação (e exercício) das Relações Públicas. Isto está bem demonstrado no célebre diagrama circular (a seguir) proposto por Margarida Kunsch em 2003, na edição revisada do livro originado em sua dissertação de mestrado (de 1986) – o qual explicita o modelo compreensivo da Comunicação Integrada. Ali, assessoria de imprensa é apenas uma em 17 atividades/especialidades listadas pela professora que, aliás, foi minha orientadora no doutorado, a quem muito admiro e sou grato.



7. Em 2012, a partir de minha imersão nas questões do ensino de RP como coordenador da Comissão Acadêmico-Científica do Conrerp1 (visando colaborar com as novas Diretrizes Curriculares Nacionais – então em gestação no MEC), propus um passo adiante na compreensão da abrangência das RP brasileiras – analisando-as pelo viés das demandas e não mais das “tarefas” (abordagem sempre criticada por Roberto Porto Simões, meu guru) – e representando-as com o composto de “4 Rs” do que chamei “Relações Públicas Plenas” – Reconhecimento, Relacionamento, Relevância, Reputação. Listei, então, em diagrama (a seguir), 24 atividades/especialidades distintas – sendo divulgação (publicity), apenas uma delas. Tal modelo foi publicado em livro (The business of transparency, Amazon, 2016) – adotado em concursos públicos recentes – o qual foi traduzido para o idioma inglês justamente para explicar ao mundo o caráter absolutamente holístico que preside a formação em RP no Brasil. E o termo “Relações Públicas Plenas” foi traduzido pela expressão “Full PR” – como não poderia deixar de ser.



MANOEL MARCONDES NETO (Conrerp1, Reg 3474). Bacharel em RP pela UERJ, mestre em Comunicação pela UFRJ, doutor em Ciências da Comunicação pela USP e pós-doutor em Cultura pela UFF. Foi secretário-geral do Conrerp1 (2010-2011-2012), é conselheiro do Conferp (2019-2020-2021), professor associado da Faculdade de Administração e Finanças da UERJ, e diretor-presidente do Observatório da Comunicação Institucional.

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